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no assunto que você gostaria de ler: 1.
NITRATO 2.
PH 3.
KH (Reserva Alcalina) 4.
FOSFATO 5.
CÁLCIO 6.
DENSIDADE 7.
TEMPERATURA 8.
POTENCIAL REDOX - ORP
Quando
se fala em testes, temos duas reações bem diferentes
nos mais diversos tipos de aquaristas. Em alguns se pode
ver brilhar os olhos de tanto que gostam de interagir
com o microcosmo que tem em casa. Em outros, no entanto,
é quase uma ofensa dizer que testes são importantes e
necessários, pois simplesmente odeiam e não tem paciência
para fazê-los.
Na verdade, eu diria que os testes são importantes sim,
e por que não dizer importantíssimos para o bem estar
das criaturas que habitam nossos tanques. Mas não há a
necessidade de testes e mais testes toda hora, correções
e mais testes...
Sou da opinião que aquário bom é aquele
que praticamente não colocamos as mãos. Veja, eu disse
praticamente. Devemos em certas ocasiões efetuar testes
e correções, principalmente nos primeiros meses da
montagem, mas estas correções devem ocorrer de forma
lenta e gradativa e em alguns casos podem levar meses
para conseguirmos atingir níveis ideais.
A seguir, falaremos a respeito dos fatores
mais importantes e que mais influenciam em nossos aquários
e os níveis ideais destes elementos.
Nitrito
É um elemento muito conhecido,
principalmente dos aquaristas mais antigos, e que
determinava a hora certa de começarmos a colocar nosso
peixes. Trata-se de um elemento bastante tóxico para
peixes, nem tanto para invertebrados. Os níveis de
nitrito em aquários deve ser zero. Em aquários bem
montados, ou seja, com todos os equipamentos necessários,
não é mais problema, pois em ambientes bem oxigenados
além de haver uma tendência de rápida queda deste
elemento, os peixes conseguem sobreviver bem, mesmo em
concentrações consideradas altas. Obs. Se aparecer
nitrito em aquários antigos, ou seja, já
estabilizados, sinto muito mas você tem problemas na
montagem de seu tanque, ou seja, possui equipamentos
insuficientes ou de baixa qualidade, ou então houve
algum desequilíbrio provocado por excesso de alimento,
excesso de peixes, ou morte de algum animal.
Se seu aquário for OK, nunca mais você
terá este elemento presente em seu tanque em concentrações
significativas, o que significa que seria bom, mas
praticamente inútil fazer um teste de nitrito
periodicamente.
Se seu aquário for novo, você tem todos
os equipamentos necessários como quantidade suficiente
de bombas, bom sistema de filtragem, etc, e já houver
alguns peixinhos no tanque, mantenha a calma e aguarde.
Efetue uma troca parcial cautelosamente, mas verifique
(caso seu tanque seja de filtro biológico ou dry-wet)
se o refil do filtro é novo e está limpo e se não há
restos de alimento ou excesso de sujeira no tanque.
Coloque excedente de carvão ativado na caixa repositora
ou no filtro externo e se for possível, aumente a
circulação do tanque e por alguns minutos, coloque uma
mangueirinha em uma das suas bombas submersa para fazer
com que solte ar para ajudar na oxigenação, mas
lembre-se: Uns 30 minutos no máximo. Aguarde que em
algumas horas tudo ficará bem.
Se preferir prevenir problemas mais sérios,
use um produto chamado Tetra Bactozym que ajuda a
reduzir o nitrito e preserva a vida de seus peixes.
Amônia
Elemento altamente tóxico a peixes e
invertebrados, aparece em grandes concentrações
normalmente em aquários com sérios problemas de equilíbrio
ou em tanques com excesso de poluição - que em geral
é causado por excesso de alimentos ou peixes - ou com
problemas de equipamentos insuficientes ou de baixa
qualidade. Em aquários novos também costuma incomodar
um pouco, mas assim como o nitrito, só causa estragos
se os equipamentos não estiverem em ordem.
Em tanques antigos e bem equilibrados,
raramente aparece, mas se aparecer, verifique seu
skimmer, quantidade, qualidade e validade de seu carvão
ativado, quantidade e qualidade do alimento
administrado, quantidade e tamanho de peixes
proporcionalmente ao tamanho de seu aquário, quantidade
e potência de suas bombas e periodicidade das manutenções
obrigatórias. Os níveis de amônia devem sempre ser
zero ou muito próximos a isso.
1.
Nitrato
Muita
gente confunde nitrato (NO3) com nitrito (NO2). O
nitrato, diferentemente do nitrito é acumulativo,
praticamente inofensivo aos peixes em concentrações
consideradas altas, mas extremamente prejudicial a
corais e invertebrados. É considerado um dos principais
responsáveis pelo aparecimento de algas verdes em
nossos tanques. Seu controle deve ser preventivo, pois
quando aparece em concentrações maiores, torna-se bem
difícil baixá-lo.
Existem no mercado resinas removedoras deste elemento
mas só funcionam em concentrações abaixo de 20 mg/l.
Caso os níveis deste elemento sejam superiores a isto,
efetue trocas parciais com mais freqüência e em maior
quantidade, mas veja: Não adianta nada tentar resolver
o problema se não atingirmos o que o causa! Se o
nitrato de seu aquário for crescente e de difícil
controle, verifique se não está alimentando demais ou
se não possui peixes demais. Verifique a potência do
seu skimmer, qualidade do sal e do carvão ativado que
usa e certifique-se que está usando água deionisada e
de estar fazendo trocas parciais de maneira correta e no
tempo certo. Em aquários de filtro biológicos e
dry-wets torna-se praticamente impossível controlar
este elemento, mas devemos fazer o máximo possível.
Para controlar este elemento usamos sempre
o Sistema Jaubert, que consiste em placas pretas furadas
com uma camada de cerca de 10 cm de cascalho de halimeda
por cima. Veja mais detalhes sobre o sistema no livro
"O Aquário Marinho & as Rochas Vivas".
As concentrações deste elemento devem ser muito próximas
a zero, mas são toleráveis, mas não recomendáveis níveis
até no máximo 6mg/l. Este teste é indispensável,
principalmente para quem possui aquários de rochas
vivas. 
2.
PH
É
muito difícil medir estes valores com testes líquidos
já que variam durante todo o dia e devido a difícil
visualização dos valores corretos pois o contraste de
cores é muito pequeno. Existem no mercado o que
chamamos de peagâmetros, que são medidores precisos e
eletrônicos de pH que possuem preços elevados, mas são
de bastante utilidade.
O ideal para obtermos um resultado
interessante, é fazermos 3 testes de pH durante o período
de um dia, se não usarmos um peagâmetro digital. Isto
porque pela manhã o pH é sempre mais baixo, à noite o
pH é sempre mais alto e durante o dia o pH está em
transição. Com os 3 valores podemos dizer se tudo
corre normalmente no aquário.
Os valores ideais de pH giram em torno de 8.3 a
8.5. Pela manhã os valores podem chegar a 8.10 e à
noite, 8.6.
O pH está diretamente relacionado com a
reserva alcalina que veremos a seguir. Caso haja
necessidade de elevar o pH de seu tanque, recomendo
elevar antes a reserva alcalina e esperar algumas
semanas até que o pH aumente sozinho. Em caso de pH
adulterado, verifique fatores como circulação de água,
tipo de cascalho usado, uso ou não de tamponadores, níveis
de reserva alcalina (KH), uso ou não de reator de cálcio,
etc...
Problemas de pH são muito freqüentes para
quem não usa tamponadores (veja a seguir),
principalmente em aquários de filtros biológicos de
fundo e dry-wets. 
3.
KH
Carbonate
Hardness, ou reserva alcalina, representam a quantidade
(dureza) de bicarbonatos que nossa água apresenta, o
que traduzindo para o "entendes", significa a
quantidade de elementos que temos na água que não
deixarão o pH cair. Os níveis ideais de KH são de 7 a
8 dKh (2.8 a 3.2meq/l). É o teste mais fácil de ser
feito.
Para manter estes níveis na faixa ideal,
devemos adicionar regularmente tamponadores, que são
produtos que contém os sais de bicarbonatos. Cada marca
de tamponador apresenta-se de uma maneira com diferentes
dosagens e maneiras de administrar. Particularmente uso
e recomendo o uso de BioCalcium, que além de sais
tamponadores, contém também cálcio em sua formulação.

4.
Fosfato
Inofensivo
aos peixes, este elemento é considerado o prato
predileto das algas filamentosas que tanto prejudicam
nossos aquários, e por isso deve ser mantido a níveis
baixos. Para isto usamos skimmers, trocas parciais
(usando água e sal sintético de boa qualidade ou água
natural de boa procedência), tomamos sempre o cuidado
de lavar bem as mãos antes de colocá-las na água,
usar carvão ativado e produtos para aquário sempre sem
este elementos (indicado no rótulo com os dizeres
nitrate and phosphate free), cuidamos para oferecer
sempre alimento de qualidade e na quantidade certa, e
incentivamos o desenvolvimento de algas calcárias,
conseguidos através da manutenção constante de uma
reserva alcalina alta e equilibrada e adição regular
de cálcio. Os níveis deste elemento devem ser zero ou
muito próximo a isso. 
5.
Cálcio
Elemento
muito importante para aquários de rochas vivas, pois
dele dependem para o perfeito crescimento e formação
os corais, invertebrados e principalmente as algas calcárias
(pink) que são responsáveis pelo crescimento e não
erosão das rochas. Deve ser mantido entre 400 e 420ppm,
o que não é tarefa muito fácil...
Os níveis de cálcio diminuem quando
adicionamos muito tamponador na água. Isso ocorre
porque alguns sais tamponadores reagem com o cálcio,
gerando uma precipitação deste elemento. Por isso, é
importante que o aquarista seja comedido e consciente de
que mudanças devem ocorrer lentamente. Se o teste for
feito e os resultados não forem satisfatórios, nada de
precipitações. Por exemplo. O nível de cálcio do aquário
está em 200mg/l. Sem pânico! Aumenta-se a dosagem de
adição de cálcio em 10%.
Após uma
semana, novo teste, e se ainda estiver baixo, mais um
aumento em 10% na quantidade de cálcio, e assim por
diante. Não faça gangorras de elementos químicos, ou
seja, a reserva está alta o cálcio baixo, e você joga
uma quantidade grande de cálcio para compensar. Daí a
reserva cai e o cálcio sobe, e então você joga uma
quantidade grande de tamponador, e assim por diante. Se
você fizer isso, poderá causar um desequilíbrio iônico
no aquário e as conseqüências serão terríveis.
Se níveis muito baixos de reserva alcalina
ou cálcio aparecerem, efetue duas trocas parciais de água
seguidas com intervalo de uma semana e uma quantidade
equivalente a 25% do volume total de água do aquário.
Isso ajudará a re-equilibrar tudo. 
6.Densidade
Na verdade, o que queremos saber mesmo é a salinidade e
não a densidade, mas como os "salinômetros"
são muitíssimo caros, e por isso inviáveis, medimos
mesmo a densidade. Devemos manter em 1020 aquários para
peixes e cerca de 1023 a 1024 para aquários de rochas
vivas com corais e invertebrados. Aqueles densímetros
plásticos importados são a melhor opção, embora
pouco precisos. O ideal seria levá-los a um laboratório
químico para aferição e calibragem periodicamente
para uma maior exatidão nos dados. Lembre-se : Melhor
um tanque com salinidade errada que correções e variações
bruscas.
A densidade está alta, troque um pouco da água de seu
aquário e complete com água doce. Nunca mais que 1%
por vez para evitar variações bruscas. Se a densidade
está baixa, acrescente um pouquinho de sal por dia, até
atingir os níveis desejados ou em vez de completar a água
que evapora com água doce, passe a completar com água
salgada até atingir o objetivo.
Lembre-se:
Quedas de densidade não são tão prejudiciais, mas um
aumento brusco nestes níveis poderá dizimar a população
de um aquário em questão de horas. 
7.
Temperatura
Deve
girar em torno de 24 a 26 graus. Claro que com o clima
de nosso país isto é praticamente impossível sem a
ajuda de um refrigerador. Tudo bem, não dá para bancar
um destes, ao menos se preocupe em manter seu tanque em
local o mais fresco possível e bastante arejado.
Lembre-se dos microventiladores que, se instalados na
tampa, soprando ar na direção da água ajudarão a
esfriar bem o aquário, mas se possível, compre um
termostato para ventiladores, disponível nas lojas do
ramo e praticamente indispensável para quem usa este
recurso de refrigeração.
Corais e invertebrados mais sensíveis suportam
temperaturas máximas de 28 graus (limite muito
perigoso), e peixes seguram a bronca até uns 31 graus,
mas não se sentem muito bem, pois quanto mais alta a
temperatura da água, menor será a quantidade de oxigênio
dissolvido. Para medir a temperatura, o melhor jeito é
usar um termômetro eletrônico, devido à sua precisão
, apesar do seu custo ser bastante alto. Os termômetros
flutuantes são a segunda melhor opção. Cuidado com
aqueles do tipo adesivo, pois captam temperaturas
externas e não somente da água e passam informações
incorretas.
Para se ter uma idéia, 90% das pessoas que
têm problemas de íctio em seus aquários nem sabem, mas
têm problemas de variação diária de temperatura.
Existem aquários que são projetados de maneira
incorreta e fazem a temperatura variar cerca de 2 graus
durante o período de 24 horas. Isto já é suficiente
para causar problemas de saúde aos peixes. Em alguns
casos, só mesmo o chiller resolverá o problema.

8.
Potencial Redox - ORP
Pouco
conhecido dos aquaristas, potencial redox significa a
grosso modo, o potencial de redução de nossos aquários,
ou seja, a capacidade que as bactérias benéficas tem
de transformar (reduzir) os elementos. Um tanque com
alto potencial redox é sempre cristalino, apresenta
pouquíssimas ou nenhuma alga, estabilidade
impressionante e melhor qualidade de vida dos
habitantes. Só pode ser medido por um aparelho eletrônico,
mas pode ser notado visualmente se apresentar às
características já citadas. Influem diretamente o
potencial redox: Higiene, qualidade do sal e da água,
qualidade do carvão ativado, quantidade e potência das
bombas, quantidade e qualidade dos alimentos, quantidade
e tamanho dos peixes, potência do skimmer, etc...
De 340 a 360 milivolts, consideramos bom.
De 361 a 390, ótimo e de 391 para cima, muito alto e até
perigoso (caso de pessoas que usam ozônio em seus
skimmers). Para termos um potencial redox sempre alto,
devemos garantir o bom funcionamento dos fatores
citados.
É claro que os elementos e fatores aqui
mencionados foram descritos de maneira muito
superficial, pois se trata apenas de uma matéria -
referência. Informe-se melhor sobre cada elemento para
ter a certeza de estar fazendo a coisa certa. Maior
detalhamento pode ser encontrado no livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas".
Como vimos, os testes são importantíssimos
e em minha opinião devem ser feitos ao menos uma vez
por mês, mas em casos especiais, devemos fazê-los
sempre que necessário, como quando necessitamos
corrigir um fator. 
Lembre-se:
Tudo isto não serve apenas para aquários de rochas
vivas, mas para todo tipo de aquário marinho com
qualquer sistema. Um controle rigoroso dos principais
fatores só lhe trará benefícios, aliás, benefícios
aos seus peixes que não pediram para ser comprados e
nem capturados.
Essa
matéria pertence a Sérgio Gomes - matéria publicada
em setembro de 1996 na revista @qua.
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