|
|
"FILTROS & SISTEMAS DE
FILTRAGEM"
|
|
1.
O
AQUÁRIO
2.
CARVÃO
ATIVADO 3.
FILTRO
DE FUNDO BIOLÓGICO 4.
ROCHAS
VIVAS 5.
SKIMMER
6.
SISTEMA
DRY-WET
|
|
|
|
1. "O AQUÁRIO"
|
|
No aquário, ocorrem basicamente as mesmas reações químicas
e físicas que se pode observar no mar. A maior diferença,
entretanto, é que por seus próprios meios o corpo aquático
restrito de um aquário não é capaz de completar os
ciclos que observamos no mar. O principal problema que
encontraremos está relacionado ao acúmulo de
subprodutos do metabolismo dos habitantes e da decoração
do aquário. Como veremos adiante, existem maneiras de
manter certas concentrações, como de nitratos e
fosfatos, dentro de limites aceitáveis para que um aquário
se desenvolva perfeitamente.
Nunca se deve esquecer, no entanto, que os meios que
desenvolvemos para o controle desses problemas em
potencial são artificiais (skimmer, carvão ativado,
resinas filtrantes, etc.). Esses produtos e aparelhos têm
por finalidade resolver certos problemas que fatalmente
surgirão no decorrer da vida do aquário. Pode-se
afirmar categoricamente que um aquário não tem como
funcionar de maneira apropriada sem que se instale os
seguintes sistemas:
|
|
2. "CARVÃO ATIVADO"
|
|
O carvão ativado possui a característica de absorver
partículas que tingem a água de amarelo, o que o torna
uma ferramenta muito útil.
Carvões ativados de qualidade não liberam fosfatos na
água. Por uma infelicidade, a fosfatação do carvão
é parte do processo industrial para sua "ativação",
e sua utilização em aquários é uma adaptação.
Procure carvões fabricados para uso em aquários.
Efetue um teste para a presença de fosfatos, com alguns
grãos do carvão no interior do tubo de teste e observe
os resultados. Geralmente esse procedimento basta para
determinarmos se um carvão se presta para uso em aquários.
Note que a água se torna cristalina em pouco tempo após
o início da utilização de carvão. Os compostos
poluentes são processados por ele rapidamente, e se for
utilizada a quantidade recomendada pelo fabricante num
aquário em que normalmente não se lança mão de uso
constante de carvão, este se encontrará saturado em
pouco tempo. Existem duas formas de se utilizar carvão
ativado e são elas:
A) em regime constante e;
B) em regime esporádico.
Nas duas maneiras, devemos estar atentos ao
amarelecimento da água. Troque parte do carvão quando
notar esse fato, ou introduza a quantidade recomendável
na segunda hipótese. Procure posicionar o recipiente
com carvão ativado em local de movimentação intensa
de água, para aproveitar melhor sua capacidade
filtrante. Além desses compostos que tingem a água, o
carvão filtra outros poluentes. Cuidado especial deve
ser tomado na utilização de carvão ativado. Utilizado
em quantidade excessiva, ou quando introduzido após
longo período de ausência de sua utilização, a água
se torna tão rapidamente mais transparente que os
corais não têm tempo de se adaptar ao regime de
penetração de luz que essa transparência gera,
causando às vezes a expulsão da zooxanthellae pelos
animais que a abrigam.
|
|
3. "FILTRO DE FUNDO BIOLÓGICO"
|
|
O Sistema de Filtro de Fundo ou Filtro Biológico
perdura até hoje, e pode-se afirmar com total segurança
que até o presente momento mais de 80 % dos lojistas
utilizam e recomendam este sistema, e mais de 70% dos
aquaristas marinhos utilizam-se deste sistema, embora
atualmente sabemos que a cada 10 aquários marinhos
vendidos, aproximadamente 6 são de Rochas Vivas.
Quando se fala de Filtro Biológico, já se
pensa logo nas placas de plástico pretas furadinhas que
ficam no fundo sob o cascalho, mas na verdade, todos os
sistemas possuem um filtro biológico. Dry-wet, por
exemplo, é um filtro Biológico. As Rochas Vivas, de
certa maneira, também são filtros biológicos. Filtro
biológico é aquele onde existe uma formação de
determinadas bactérias benéficas que auxiliam a
transformar alguns elementos em outros. De uma maneira
geral, pode-se dizer que estas bactérias mantém o aquário
livre de poluentes, pois os transformam em elementos
menos nocivos.
Acostumou-se chamar filtros de fundo de
"filtros biológicos". Até aí, tudo bem, mas
não se pode esquecer que existem outros tipos de
filtros biológicos (as rochas vivas, como foi dito
anteriormente). DESVANTAGENS
DO FILTRO DE FUNDO BIOLÓGICO:
Filtros Biológicos recebem o apelido de "depósitos
de lixo". Em parte deve-se concordar que este
apelido faz sentido, pois o objetivo em qualquer aquário,
seja ele de rochas vivas ou não, deve ser manter a mais
alta qualidade de água possível. Tendo em vista que em
sistemas de aquários de filtro biológico o depósito e
acúmulo de detritos sob as placas e cascalho é freqüente
e inevitável, chegamos a conclusão óbvia que a
qualidade da água será diminuída dia a dia.
Outra desvantagem deste sistema é que
estes detritos que ficam no fundo, além de contribuir
para a queda de PH, liberam constantemente, para a
superfície, uma espécie de gordura (albumina) que
impede a perfeita passagem de luminosidade para o aquário
diminuindo sua intensidade e prejudicando assim o
perfeito funcionamento do sistema.
Para reduzir esta película gordurosa, o aquarista
costuma ligar nas bombas submersas uma mangueira de ar
que faz com que se "cuspa" ar. Muitas vezes
estas bombas ficam ligadas o dia inteiro e, em alguns
casos, ficam ligadas todos os dias durante as 24 horas.
Desta forma, há uma perda de sais que aos olhos do
aquarista pode parecer insignificante, mas efetivamente
não são. Veja: no ano existem 365 dias. Se, na melhor
das hipóteses, o aquarista deixar o ar ligado cerca de
2 a 3 vezes por semana, isso dá 156 dias de ar ligado.
Cada dia que se liga o ar, perde-se cerca de 15 gramas
de sal, o que dá uma perda de 2 quilos e 340 gramas de
sais por ano. Sais que contém uma gama de elementos
muito importantes no desenvolvimento dos seres marinhos.
|
|
4. "ROCHAS VIVAS"
|
|
A rocha é responsável por quase todo o processo de
transformação biológica dos dejetos dos habitantes do
aquário. Desnecessário dizer que o "coração"
do sistema é a rocha. Utilizando-se a rocha correta, de
maneira correta, evita-se uma vasta gama de dissabores.
Filtragem biológica será tratada mais adiante, em
maior profundidade.
Devemos utilizar apenas rocha viva de composição calcária.
É possível manter-se aquários com rochas de outra
composição, mas as "dores de cabeça" que
isso gera não compensam a economia inicial de dinheiro.
Rocha viva de qualidade possui ampla cobertura de algas
roxas e rosadas (coralíneas), não cheira mal (cheira a
"maresia" apenas), possuindo grande variedade
de microorganismos benéficos. Quando se monta um aquário
com rochas vivas de qualidade apropriada e procede-se de
acordo com esse momento inicial da vida do aquário, não
se nota grande oscilação de teores de nitritos, amônia,
etc.. A rocha viva necessita de um período de adaptação
à condição do aquário (cura). Nesse espaço de
tempo, podemos "ajudar" a maturação do aquário
efetuando trocas de água constantes e de grande proporção
em relação ao volume total contido pelo corpo aquático.
No prazo de um mês desse procedimento, diminuímos a freqüência
de trocas parciais de água, e adotamos um regime de
trocas de água parciais mais espaçadas entre si. Essas
trocas parciais são de certa maneira fundamentais para
se evitar o acúmulo de poluentes e nutrientes nesse período
inicial, evitando-se assim parte do problema de explosão
de algas indesejáveis, típico desse momento.
Naturalmente, deve-se usar água natural ou sal sintético
da melhor qualidade possível.
No caso do sal sintético, deve-se prestar
especial atenção quanto à água doce utilizada para a
mistura. Teste sua água de torneira quanto a seu conteúdo
de substâncias "indesejáveis" (nitratos,
silicatos, cloro, fosfatos, etc.), e corrija os teores
encontrados de maneira apropriada. Geralmente, o
aquarista mais preocupado com qualidade de água acaba
por adquirir um filtro de osmose reversa para obter água
própria para uso em aquários de recifes de corais. A
partir desse período de maturação da rocha,
consideramos a introdução dos primeiros animais. O
"recife" construído no aquário terá então
condições biológicas e químicas apropriadas para
isso.
Desde 1.992, temos experimentado benefícios inegáveis
lançando mão de um recurso simples quando da montagem
de aquários de recifes de corais, introduzindo areia calcária
(obtida a partir de alga Halimeda seca) depositada no
fundo do tanque. Essa camada de areia deve ter no mínimo
4 centímetros de espessura, e ser colocada sobre placas
perfuradas (a conhecida "placa de filtro biológico
de fundo") que recubram todo o fundo do aquário. Não
se deve usar bombas de qualquer tipo para o recalque da
água que se encontra entre o vidro do fundo e o meio
superior. A movimentação da água contida nesse espaço
se dá por difusão. O resultado é a criação de uma
zona de baixo teor de oxigênio, e a conseqüente
colonização desse espaço por certas bactérias, que
em seu processo de respiração eliminam nitratos da água
circundante. Os ácidos liberados nessa região do aquário
dissolvem gradativamente a areia imediatamente superior,
ajudando a estabilizar (parcialmente) os teores de cálcio
e carbonatos/bicarbonatos da água. Com esse
procedimento simples, elimina-se o problema de acúmulo
de nitratos no aquário, que a partir de determinadas
concentrações pode vir a causar sérias preocupações.

|
|
5. "SKIMMER"
|
|
O Skimmer ou (fracionador de proteínas), é um filtro
que se vale da passagem da água do aquário por um
recipiente onde é injetado grande volume de ar. Nesse
processo, grande parte da "sujeira" contida na
água forma uma "capa" na parede da bolha de
ar. Como a bolha tende naturalmente a subir, constrói-se
o fracionador de maneira a expulsar as bolhas que contêm
"sujeira", de maneira tal que a água que sai
do aparelho se encontre muito mais "limpa" do
que quando entrou. Dado esse princípio de
funcionamento, percebemos que o skimmer retira poluentes
da água antes deles sofrerem mineralização, e
iniciarem o processo nitrificante. A remoção desses
compostos, principalmente em forma de carboidratos,
proteínas, e substâncias que "tingem" a água
do aquário de amarelo, beneficia o corpo aquático como
um todo, pois evita sua saturação e conseqüente queda
de qualidade de água.
Tudo isso ocorre se o aparelho utilizado for apropriado
quanto ao volume do corpo aquático a ser filtrado e à
qualidade de sua construção (projeto, desempenho,
etc.). De maneira geral, qualquer desnatador é melhor
do que nenhum. Rapidamente, no entanto, se percebe se o
aparelho conectado a um sistema supre suas necessidades
de filtragem. Um skimmer de boa qualidade,
apropriadamente instalado, ajuda a manter o aquário
livre de infestações de algas daninhas, entre outros
benefícios. Podemos citar outras qualidades, como as
taxas elevadas de oxigenação da água que um bom
skimmer pode proporcionar a um aquário.
Na realidade, poderíamos escrever um verdadeiro compêndio
a respeito desse aparelho apenas, mas esse não é nosso
objetivo aqui. Basta apenas afirmar que a instalação
do melhor desnatador que se puder adquirir é uma das
pernas do tripé "temperatura-iluminação-filtragem",
sem as quais (todas as três) não se obtém sucesso em
aquários viáveis a nível de manutenção.
Eventualmente, utiliza-se vários outros tipos de
filtragem, como carvão ativado, resinas removedoras de
nitratos e fosfatos, etc.
Ressalto apenas que esses elementos filtrantes são mais
de uso esporádico, e servem para corrigir determinada
característica da água em dado momento. Um aquário
montado de maneira apropriada necessita de nada além de
um bom skimmer como sistema de filtragem.
|
|
6. "SISTEMA DRY-WET"
|
|
Este sistema de filtragem, sem dúvida nenhuma é muito
superior aos filtros de fundo, apresentando inúmeras
vantagens. É muito utilizado em países desenvolvidos
inclusive em combinação com rochas vivas.
Os "Trickle Filters" ou Dry-Wet
procuram manter uma área grande suficiente para a fixação
de todas as bactérias necessárias ao equilíbrio do
aquário. São considerados por alguns como o coração
do aquário.
Nos livros sobre o assunto, os autores
gastam páginas e páginas para explicar cada etapa do
Dry-Wet. São desenhados filtros "Hi Tech"
fantásticos com passagens espetaculares por
denitrificadores, skimmers, carvão ativado, removedores
de fosfato, dosadores, geradores e reatores de ozônio,
reatores de CO2, válvulas de retenção, barras
difusoras de água, termostatos, chillers (resfriadores),
bolas (bio balls), camadas de perlon, cerâmica, corais
moídos, medidores eletrônicos de Ph, potencial redox,
termômetros de alta precisão, etc...
São, sem dúvida, equipamentos fantásticos,
onde o aquarista conseguirá, com certeza, obter o
sucesso esperado. Mas...e o custo de tudo isso???
Abaixo damos dicas para manter seu sistema Dry-Wet
funcionando bem e por muito tempo.
- Ter uma capacidade para bio-balls (bolas plásticas
que servem para a fixação de bactérias) de pelo menos
10% da capacidade total do aquário.
- Os bio-balls devem ser fabricados com um tipo de
plástico atóxico (polietileno, nailon ou poliuretano)
de boa qualidade, e podem ter formatos diversos.
- A água deve ser bem distribuída por toda a
extensão do filtro a fim de que todas as bolas recebam
a queda d'água e permaneçam molhadas.
- As bolas não devem ficar submersas, caso contrário,
perde-se a maior vantagem deste sistema que é o contato
direto das bactérias com o ar, fazendo com que elas
consumam oxigênio sem retirá-lo da água, aumentando
desta forma o teor de oxigênio dentro do aquário,
melhorando a qualidade da água.
- Evite que bolhas de ar espalhem-se pelo aquário,
isto faria com que grande quantidade de sal fosse
perdida, o que causaria problemas a longo prazo.
- O local onde ficam os bio-balls deve ser escuro.
- Não deve haver nenhum outro tipo de substrato
com a finalidade de fixação de bactérias. Nem
cascalho nem conchas moídas para evitar acúmulo de
detritos que causaria queda no potencial redox, e conseqüentemente,
na qualidade da água.
- Para manter o Ph estável devemos manter uma
reserva alcalina elevada. Para isso utilize um
tamponador rigorosamente.
- Forte circulação de água tanto no filtro como
no aquário. Para um aquário de 200 litros, pelo menos
2.000 litros/hora no filtro e mais 2.000 litros/hora no
aquário com jatos em diferentes direções para uma
circulação mais eficiente da água.
- A caixa de filtro pode ser atrás ou embaixo do
aquário, dentro de algum móvel. No 2º caso cuidado
com o retorno de água caso falte energia elétrica.
Utilize uma boa válvula de retenção, que não deve
conter nenhuma parte de metal.
- A coleta de água do aquário deve ser feita
pela superfície, evitando desta forma o acúmulo da
camada gordurosa e alguns outros detritos que podem
ficar em suspensão, além de efetuar uma melhor troca
de gases.
- O perlon não deve ser submerso. Para um melhor
desempenho, deve-se colocar o perlon logo após uma
placa de acrílico perfurada, aproveitando desta forma
toda a extensão do perlon e conseguindo uma maior
retirada de detritos.

Fonte
parcial: O
Aquário Marinho e as Rochas Vivas (Sérgio
Gomes)
|
|
|